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LOCALIZAÇÃO
O Engenho Monjope fica localizado no distrito de Cruz de Rebouças a 05 Km da
sede do município, Igarassu, e a 25 Km da cidade do Recife, capital do Estado
de Pernambuco.
Com
sua localização privilegiada, um vale bastante arborizado com várias
nascentes, tem um clima ameno e muito agradável.
O ENGENHO*
Além
da sua importância para a economia pernambucana nos séculos XVII, XVIII e XIX,
o Engenho Monjope era também centro de importantes decisões políticas da
capitania. Não foi por acaso que o imperador Dom Pedro II, viajando pelo
Nordeste, se hospedou em um dos cômodos do primeiro andar da casa-grande, em
dezembro de 1859. Nesta época, a propriedade pertencia à família Cavalcanti
de Albuquerque, que promoveu junto com outras forças políticas do Estado a
chamada Revolução Praieira, em 1848.
Para
acalmar os ânimos dos súditos que desejavam se livrar do domínio português,
o imperador resolve percorrer o Norte da Colônia. Durante a viagem, entra em
contato com os líderes locais e distribui títulos de nobreza em troca de
fidelidade. Ele chega a Igarassu no dia 5 de dezembro vindo do Recife. Visita vários
engenhos na cidade, mas resolve dormir em Monjope, "cuja casa está
preparada com asseio e decência".
Após
o fim da Revolução, o engenho aparece em nome de Manoel Joaquim Cordeiro da
Cunha, bacharel em direito e deputado provincial em 1842 e de 1850 a 1855,
casado com Antonia Cavalcanti Carneiro da Cunha.
JESUÍTAS*
De
acordo com o historiador Guilherme Jorge Barreto, a história do Engenho Monjope
começa no ano de 1600, quando o terreno original (800 braças em quadra ou
1.760 metros quadrados) é doado pelo casal Antonio Jorge e Maria Farinha
"por amor, em graça" aos padres jesuítas do Colégio de Olinda, que
passam a usar as terras para a plantação de subsistência e a criação de
gado. Alguns documentos da Companhia de Jesus no Brasil apontam Monjope como
engenho produtor de açúcar apenas a partir de 1666.
Com
a expulsão dos jesuítas do Brasil, no ano de 1759, os bens da Ordem são
arrolados pela Coroa e vão a leilão. Um ano depois, ele é adquirido pela família
Cavalcanti de Albuquerque, de Tracunhaém. Em 1859, Pernambuco é visitado pelo
imperador Pedro II, que depois de conhecer o Recife, hospeda-se na casa-grande
do Engenho Monjope, onde pernoita no dia 04 de dezembro. Em 1861, as terras de
Monjope ocupam uma área total de 7.935.000 braças quadradas, ou 17.457.000
metros quadrados.
A MONJOPINA*
Tudo
no Engenho Monjope era grandioso. A sua capela, a casa-grande, a senzala e,
sobretudo, a roda d'água de metal inglesa, que o diferenciava dos demais
engenhos mais modestos da região, acostumados com moendas feitas de madeira e
movimentadas pela tração animal.
Monjope
foi um legítimo representante do período áureo do ciclo da cana-de-açúcar
em Pernambuco. Cem escravos, produziam uma média de dez mil arrobas de açúcar
por safra, tornando-o um dos mais importantes do Estado. Mas toda ostentação
demonstrada nos séculos XVII e XVIII desapareceu quando os engenhos começam a
enfrentar a concorrência das usinas.
O
processo de decadência do Engenho Monjope começa quando ele é adquirido pela
Companhia Beberibe, por volta de 1889. A produção de açúcar é suspensa
porque a empresa quer as terras para criar um sistema de abastecimento de água
para o Recife. No início do século XX (1903-4), o engenheiro italiano Vicente
Antonio Novelino, compra Monjope, promove melhorias e volta a fabricar açúcar.
Sem ter como concorrer com as novas usinas, que produzem mais por preços mais
baixos, Novelino começa se dedicar aos subprodutos da cana: a aguardente (Monjopina),
vinagre e hidromel.
A
bebida, inicialmente, é fabricada para distribuição com os amigos, mas,
devido ao seu sabor primoroso, logo começa a ser engarrafada para venda em
escala comercial por toda a região Nordeste.
A
Aguardente Monjopina era considerada “a Rainha das Aguardentes de Cana”.
Além
da “Monjopina” ( cana-de-açúcar ) o Engenho também fabricava as
aguardentes “Rainha” ( seiva de limão cravo ) e “Princesa” ( com
laranja lima ).
HOJE*
Atualmente
o Engenho Monjope é um dos Sítios históricos do Município de Igarassu e está
tombado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (
Fundarpe ), encontrando-se em reformas para a sua plena restauração, com
previsão de conclusão no próximo semestre, sendo um dos únicos do estado que
ainda conserva os quatro elementos que caracterizam um engenho; casa-grande, fábrica,
senzala e capela, embora as construções não sejam do mesmo período.
Na
capela de São Pedro do Engenho Monjope as crianças da comunidade tem aulas de
catecismo, todo sábado, e uma vez por mês o padre de Cruz de Rebouças celebra
uma missa no local.
* Fonte Jornal do Commércio/Pernambuco.